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O ritmo fraseado de 'No.thing'

Deived Cardoso*no thing_observatorio1

O espetáculo No.thing é constituído por uma ampla simplicidade de movimentos extraídos da noite, os gestos, vocabulários, tudo aquilo que não é percebido, a integração do corpo com os movimentos, movimentos que são absorvidos do nosso dia a dia, movimentos que não são contínuos, são fraseados, são movimentos simples que revelam o sentimento corporal que não é revelado, tudo aquilo que está a todo momento em processo natural.

A atmosfera do espetáculo é surpreendente, a interação dos corpos, os conflitos humanos que são demonstrados com as expressões dos bailarinos, os elementos se encontram de forma natural como a trilha e a dança. Eles não estão ligados ritmicamente, se encontram no meio da trama, isso é muito marcante, a trilha sonora não toca a todo momento, ela vem pontuando os momentos mais fortes.

O que permaneceu despercebido, isso fica muito explícito na obra, na atuação dos bailarinos, com o ritmo fraseado os corpos se encontram revelando todas as expressões que ficaram por muito tempo escondidas dos nossos olhares, o silêncio cai na trama como uma luz na escuridão, faz com que o espectador direcione toda sua atenção para a ação dos bailarinos, reparando nos mínimos detalhes.

Os bailarinos fazem com que o espectador se sinta dentro da trama com sua respiração ofegante. O silêncio paira nas extremidades do espetáculo. Em muitos momentos, não sabia se era o som da minha respiração ou o som da respiração dos bailarinos, me senti dentro do espetáculo, não como um espectador, mas sim como um elemento que compunha a cena.

Com toda essa atuação, o espectador mergulha no universo da dança encontrando respostas para as perguntas. De onde vem o gesto? De onde os gestos surgem? Do silêncio... seria a resposta? Não se sabe, mas o que se sabe aqui é que o silêncio vem como uma ferramenta de transição entre uma cena e outra.

Uma coisa que me chamou a atenção foi a iluminação sutil do espetáculo, a mesclagem das cores: verde, vermelho e azul faziam o espectador viajar no mundo das sombras dos bailarinos. Agora, um espetáculo tão amplo chamado No.thing, em que o significado é o "nada, coisa nenhuma". Segundo o autor da obra, é um jogo entre o conceito da palavra e o processo da performance dança.

(*) Este texto faz parte de um processo de atividades envolvendo alunos da disciplina Oficina de Leitura e Escrita, do curso de Audiovisual, da UNIJORGE, ministrada por Sérgio Cerviño Rivero. Deived Cardoso é aluno do 4º semestre.

 

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