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Capoeira em cena

mbolumbumba noticiaLia Günther Sfoggia, vencedora da terceira edição do Prêmio VIVADANÇA, leva para o corpo e para o palco os conflitos presentes no "jogo", de quarta a sábado, no Teatro do Goethe-Institut 

Como se deu sua aproximação com a capoeira?

Eu comecei a estudar capoeira quando ainda morava no Rio Grande do Sul, durante minha adolescência. Quando decidimos morar em Salvador, eu e Guilherme Bertissolo (músico e cocriador de m'bolumbümba), procurei saber com meu antigo professor qual seria o melhor lugar para retomar meus estudos. Entrei em contato com a Fundação Mestre Bimba e comecei a treinar lá. Aos poucos o Guilherme também começou a se aproximar da Fundação e a realidade da capoeira começou a contaminar nosso trabalho que já vinha se desenvolvendo.

Como você define o uso da capoeira no desenvolvimento do seu trabalho coreográfico? Desdobramento, apropriação, investigação? Por quê?

A capoeira para o nosso trabalho seria mais um ambiente poético do que propriamente uma manifestação ou desdobramento. Eu e o Guilherme costumamos trabalhar buscando um diálogo entre a música dele e o meu modo de expressão. No momento em que a capoeira envolve boa parte de nossas vidas, alguns elementos começam emergir mesmo sem a nossa intenção. Nesse trabalho específico, buscamos identificar elementos e conceitos para essa interação na capoeira, e, a partir deles, desenvolvemos a poética do espetáculo.

Geralmente pensamos na capoeira praticada numa roda ou por pelo menos duas pessoas. Mas você está sozinha sozinha no palco...

Em m'bolumbümba, o conflito acontece no corpo e na composição da obra como um todo: música e movimento. O jogo acontece na negociação entre as cenas, elementos cenográficos, ideias e escolhas poéticas.

A obra m'bolumbümba se estabelece a partir da relação intrínseca entre  movimento e música, presente na capoeira. Como isso é mostrado no palco?

A composição tanto de música quanto de movimento é elaboradas em conjunto e em constante diálogo. Isso não significa necessariamente que o movimento traduz a música e vice-versa. Como ocorre na capoeira, música e movimento são indissociáveis e se desenvolvem concomitantemente. Podemos ver o movimento, ouvir a música, cada qual com suas características, ao mesmo tempo em que surgem do mesmo ímpeto.

Além da música e dos movimentos, que outros elementos simbólicos ou esteticos ligados ao universo da capoeira são usados no espetáculo?

A capoeira acontece no modo do corpo se relacionar com a música. Ela aparece como um universo poético que circunda a obra em todas as instâncias: coreografia, música, vídeo, paisagens sonoras, cenografia, figurino...

E a linguaguem do video? O que ela agrega no cruzamento com os outros elementos?

O vídeo acontece como um recorte da obra. Agrega informação, destacando detalhes e nuances que muitas vezes não ficam claros no desenvolver da obra dentro do teatro. Por vezes, opera uma espécie de síntese das ideias. É como dançar a obra numa instância diversa.